Gratidão a Joaquim de Sousa e Casa Rádio pela  Filarmónica Dez de Agosto

Gratidão a Joaquim de Sousa e Casa Rádio pela Filarmónica Dez de Agosto

Nas comemorações do 145.º aniversário da Sociedade Filarmónica Dez de Agosto, o momento alto da sessão solene foram as homenagens prestadas a Joaquim de Sousa, um figueirense ilustre cujo objetivo foi sempre pugnar pela Figueira da Foz; a centenária papelaria e livraria Casa Rádio e José António Teixeira, pela sua entrega, arte e dedicação num trabalho voluntário pela fotografia, todos receberam o “Prémio Excelência”.

Depois de alguns momentos musicais com a atuação do Grupo de Cantares da Dez de Agosto sob a direção da maestrina Sílvia Marina, que abriu a sessão, onde marcou presença o presidente da autarquia Pedro Santana Lopes, ladeado pelos vereadores Manuel Domingos e Olga Brás, entre outros autarcas, o presidente da Instituição, Sansão Coelho falou desta Casa  como “uma casa de memória”, com relevantes  feitos na música  e no Teatro, evocando a memória de Maria Olguim, salientando que hoje, a Dez de Agosto, “é uma coletividade aberta e com diversas valências culturais em funcionamento” disse.

A cerimónia alterou ligeiramente a ordem dos trabalhos para aproveitar a presença de Santana Lopes, que tinha de se ausentar para marcar presença noutras cerimónias, o autarca quis deixar algumas palavras de gratidão ao provedor da Misericórdia – Obra da Figueira, Joaquim de Sousa como “um Figueirense Cimeiro pelo seu valor e excelência”, enquanto os organizadores salientaram que se trata de um dos mais “notáveis figueirenses das últimas décadas com relevante projeção nacional”.

O presidente da autarquia referiu-se ainda à recente situação da sede da Filarmónica, que tem contrato de arrendamento até 2027 e que no final dessa data vai “procurar encontrar a melhor solução a contento de ambas as partes” até porque, explicou, “vamos acabar o mandato com equilíbrio financeiro e isso dá-nos algum sossego para refletir sobre situações mais complicadas, e quem sabe até, adquirir a propriedade” disse.

Seguiu-se uma palestra pela historiadora Inês Pinto acerca da Figueira do século XIX, centúria na qual foi fundada esta coletividade aniversariante. Tocou diversos pontos importantes no desenvolvimento da Figueira da Foz desde as invasões francesas, a família dos Quadros de Tavarede, passando pelo Cabo Mondego e a transformação que trouxe à Figueira da Foz, a presença de estrangeiros, sobretudo ingleses na cidade, “a Figueira da Foz começou a afirmar-se a partir de 1885, com o combate a literacia, surgindo neste seculo XIX, 12 instituições na Figueira da Foz, entre as quais a Dez de Agosto”.

Outro momento fascinante desta sessão foi o preito de gratidão à Casa Rádio, que abriu portas a 1 de abril de 1928, com artigos de papelaria, livraria, tabacaria e artigos de rádio (TSF), através da sociedade “Neves & Sousa, Lda.”, cujos sócios fundadores foram António da Costa Neves e Raul Bruno de Sousa.

O nome Casa Rádio vem da atividade de venda de equipamentos de rádio neste estabelecimento e da paixão de um dos sócios, o Sr. Costa, pelos acessórios da TSF, que estavam em plena moda e evolução na época e também, porque na montra da loja existia um grande aparelho recetor de rádio com o som dirigido para a rua e era comum as pessoas concentrarem-se junto desta para ouvirem os já populares relatos dos principais jogos de futebol, concertos e as principais notícias, sendo estes eventos publicitados em jornais da época.

Na Figueira da Foz é impossível nunca ter ouvido o nome de Ângelo Tavares, que começou como funcionário deste estabelecimento e acabou por ser uma das figuras mais conhecidas desta casa.

Atualmente, a Casa Rádio é gerida por Cremilda da Conceição Cação e Américo Claro Cação que marcaram presença para receber a distinção, que continuam a honrar o nome da Casa Rádio, não esquecendo as memórias da loja, e continuando a fazer desta uma referência toponímica da cidade.

A cerimónia finalizou com todos a cantar os parabéns à “Teimosa” e a partilhar o bolo de aniversário e uma taça de champanhe.